Talvez boa parte da geração Z não conheça ou nunca tenha ouvido falar do INXS, que surgiu em 1977 e alcançou o auge do sucesso nos anos 80 por sua mistura de rock e groove. Já os ditos “millenials” têm a banda inclusa em seu hall of fame particular quando se fala sobre as baladas icônicas que marcaram a década.
Lançado em 19 de outubro de 1987, Kick é o sexto álbum de estúdio do grupo australiano. Recheado de canções memoráveis que embalaram a época, tornou-se um dos principais discos de rock e o mais bem sucedido do INXS, recebendo certificado de disco de platina pela RIAA e alcançando uma vendagem estimada em 20 milhões de cópias no mundo todo, sendo 10 milhões somente nos EUA.

Uma breve parada antes de ’87
Formada originalmente pelo trio de irmãos Andrew Farriss (teclados), Jon Farriss (bateria), Tim Farriss (guitarra); Garry Gary Beers (baixo), Kirk Pengilly (guitarra e saxofone) e Michael Hutchence (vocais), a banda nascida em Sydney teve que percorrer um longo caminho até chegar ao tão famigerado sucesso.
O primeiro álbum de estúdio (homônimo), lançado em 1980, foi considerado um “fracasso” em sua terra natal. Já o segundo disco, Underneath the Colours, lançado no ano seguinte, alcançou a 15ª posição das paradas australianas — mas não foi o suficiente para tirar o INXS do anonimato em dois grandes países de referência musical: EUA e Reino Unido.
A banda conseguiu se infiltrar no mercado norte-americano após o lançamento de Shabooh Shoobah (1982), conquistando a 52ª posição nas paradas da Billboard. Naquele mesmo ano, o single The One Thing chegou ao Top 30 nos EUA. Mas foi com a gravação do hit Original Sin, em 83, que o grupo viu o sucesso bater na porta. Com a canção chegando ao topo da parada australiana de singles, uma grande turnê foi organizada para promover seu quarto álbum de estúdio The Swing, que seria lançado no ano seguinte.

Já o quinto disco Listen Like Thieves, de 85, marcou a transição do INXS em termos de sonoridade. Produzido por Chris Thomas (que já havia trabalhado com Elton John, Pink Floyd, Pretenders e Sex Pistols), o álbum ganhou notoriedade com What You Need. O single alcançou a 51ª posição no Reino Unido e o Top 5 da Billboard naquele ano, carimbando um novo começo para o grupo a partir dali.
Após se encontrar musicalmente, o INXS retornou aos estúdios para gravar seu próximo trabalho, aquele seria o seu apogeu e que lhe renderia o título de uma das maiores bandas de rock dos últimos tempos: KICK!
Rumo ao estrelato: o sucesso estrondoso de KICK
No sexto álbum de estúdio, é visível o amadurecimento do grupo em termos de qualidade e musicalidade. Gravado entre Sydney e Paris, e produzido novamente por Thomas (o grande responsável pela evolução sonora da banda), o disco lançou quatro singles que explodiram nas paradas e chegaram ao Top 10 da Billboard: New Sensation, Never Tear Us Apart, Devil Inside e Need You Tonight — este último, inclusive, conquistou o primeiro lugar nos EUA e a segunda posição no Reino Unido.
Em outubro de 87, Kick chega às lojas e segue direto para a primeira posição nas paradas australianas. Na Billboard, o álbum ocupou a terceira colocação. Já no Reino Unido, o disco ficou entre os 10 mais tocados nas rádios britânicas.
No entanto, um fato curioso também marcou o processo de produção do álbum. Na época de seu lançamento, a Atlantic Records teria ficado “insatisfeita” com o material e chegou a oferecer US$ 1 milhão para que o grupo retornasse à Austrália e gravasse novas músicas. O motivo? Os executivos achavam que a sonoridade do produto “pendia mais para black music do que para um disco de rock”.

Obviamente que o INXS recusou a proposta e tirou bufunfa do próprio bolso para promover alguns singles de forma independente. Devido ao sucesso imediato, a gravadora foi obrigada a reconhecer a gafe e bancar o lançamento do disco.
Desde então, Kick já rendeu diversos prêmios para o INXS após o seu lançamento, incluindo o de Melhor Banda naquele ano (feito repetido em 89 e 92), além de turnês apoteóticas nos EUA e Europa, entre 87 e 88.
O videoclipe das canções Need You Tonight e Mediate faturou cinco vezes o prêmio do Video Music Awards (oferecidos pela falecida e saudosa MTV), em setembro de 1988. Em Mediate, a banda fez uma referência ao clássico vídeo de Subterranean Homesick Blues, aquele em que Bob Dylan fica mostrando dezenas de cartazes com frases escritas.
A fase ‘Pós-Kick’
Depois do fenômeno de 87, a banda tomou fôlego para produzir outro disco com o potencial de alcançar o mesmo sucesso de Kick. Em outubro de 1990, foi a vez de X, o sétimo álbum do INXS, cair no gosto do público. Para muitos, se o disco não era tão bom quanto seu antecessor, pelo menos não deixava a desejar e também trouxe hits que emplacaram nas paradas: Suicide Blonde, Bitter Tears e By My Side.
Assim como Kick, o novo disco também ganhou sua turnê, com direito a uma apresentação apoteótica no Estádio de Wembley, no Reino Unido, em 13 de julho de 1991. Digno de esgotar ingressos, o show foi gravado e lançado em DVD com o título Live Baby Live. Seis meses antes, a banda já havia “arrastado” mais de cem mil pessoas ao Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, durante o encerramento da segunda noite do Rock in Rio II.
O grupo australiano lançou mais três álbuns de estúdio com Michael Hutchence nos vocais, porém, sem o mesmo alcance comercial dos discos anteriores. Apesar de ter conquistado a primeira posição nas paradas britânicas devido aos sucessos Beautiful Girl, Heaven Sent e Not Enough Time, o álbum Welcome to Wherever You Are (1992) foi uma espécie de “último suspiro de sucesso” da banda, seguido por Full Moon, Dirty Hearts (1993) e Elegantly Wasted (1997), ambos com reconhecimento mediano.
Fechando ciclos: a morte de Hutchence e o fim do INXS
Poucos meses após o lançamento de Elegantly Wasted, no dia 22 de novembro de 1997, o corpo de Michael foi encontrado em um quarto de hotel em Sydney. Após a morte do vocalista, o INXS nunca mais foi o mesmo. A banda ainda testou alguns substitutos, recrutando J. D. Fortune para gravar o razoável Switch (2005), que vendeu cerca de um milhão de cópias e lançou os singles Pretty Vegas, que alcançou a 37ª posição na Billboard 100, e God’s Top Ten — dedicada a Hutchence e sua filha, Tiger Lily.
O último álbum do INXS, intitulado Original Sin, foi lançado em 2010 e apresenta covers de canções anteriores da banda (cada faixa conta com a participação de um cantor convidado). Porém, o grupo nunca mais emplacou nas paradas, finalizando as atividades em 2012.
E se…
Talvez os fãs mais saudosistas se perguntem: “E se Michael Hutchence estivesse vivo, onde estaria o INXS hoje? Relembrando os velhos sucessos em pequenas casas de show? Fechando as noites de Rock in Rio com seus hits atemporais?“
Infelizmente, nunca saberemos. Mas foi a presença magnética de Hutchence e as canções super envolventes de Kick que colocaram o INXS nos holofotes da indústria musical.
Para o meu Top 5 de Discos Mais Memoráveis de Todos os Tempos: 10/10.



