Frankenstein de Guillermo del Toro está muito mais próximo de um drama do que de um horror gótico tradicional, embora preserve o charme melancólico de um conto vitoriano. Isso se revela no design de produção impecável. Figurinos, maquiagem e ambientação constroem um universo visualmente deslumbrante.
O diretor, mais uma vez, abraça seu fascínio por melodramas com monstros. Há quem critique essa insistência, como se fosse excessiva e até prejudicial para clássicos como Frankenstein. Para mim, é justamente o que torna sua obra singular. Seus monstros nunca são apenas criaturas grotescas; são reflexos da nossa própria humanidade. Em tempos de uma sociedade divisiva, que parece gostar de apontar o que é certo ou errado como se pudesse brincar de Deus, o filme surge como um lembrete de que o amor, o acolhimento e o respeito ainda são caminhos possíveis, inclusive diante do que chamamos de “diferente”.
Aqui, a criação de vida continua sendo moralmente questionável, mas o foco se desloca, indo muito além de discutir as consequências do ato de Victor Frankenstein. Há humanidade em meio ao horror. Uma humanidade que talvez pareça escondida nos dias de hoje, mas que continua ali. A atuação de Jacob Elordi como “A Criatura” reforça isso de maneira sublime.
Talvez, por isso, essa versão de Frankenstein soe tão necessária agora. No fim, saí convencido de que esperança é sempre mais interessante que o pessimismo.
Acredito que vai ter quem ame ou odeie essa versão. E eu, certamente, fico com a primeira opção.

