Em O Agente Secreto, a ideia de espionagem aparece de forma menos convencional do que o título sugere. Em vez de seguir os caminhos tradicionais do gênero, o filme usa esse imaginário para falar sobre silêncio, desaparecimento e as histórias que acabam sendo apagadas.
A cidade de Recife ocupa um papel central. O diretor Kleber Mendonça Filho transforma sua terra natal em mais do que cenário, deixando que ruas, histórias e lendas locais moldem o clima do filme.
No centro disso tudo está uma atuação muito forte de Wagner Moura. Ele sustenta o filme com um trabalho contido, cheio de nuances, que revela muito mais nos gestos e nos silêncios do que em grandes discursos.
O resultado é um filme intrigante e elegante, que usa o suspense e alegorias recifenses como ferramenta para refletir sobre identidade, memória e os rastros que ficam, ou desaparecem, ao longo da história.

