Um drama familiar assumido, desses que respiram silêncio, contemplação e também diálogos típicos. A trilha sonora é delicada, a fotografia é elegante e há um certo glamour que atravessa tudo.
A obra apresenta cicatrizes. A arte tem um certo papel. O uso da metalinguagem de um filme dentro do filme funciona para compreendermos as motivações de certos personagens. A casa também funciona como um personagem que ajuda na construção desse “valor sentimental”.
Mas tudo isso pode causar uma sensação arrastada ou até repetitiva para o espectador. Ainda que, a meu ver, seja proposital. Afinal, estamos falando de um filme sobre relações familiares e memórias dolorosas, e as relações têm disso.
Stellan Skarsgård entrega um personagem capaz de despertar reações muito diversas e faz isso com a segurança de quem domina o ofício. Elle Fanning me parece especialmente madura aqui. Aliás, o elenco como um todo sustenta o filme com muita competência.
Um filme sublime: Sensível, elegante e reflexivo, ainda que, em seu movimento circular, corra o risco de não agradar a todos.

